Desperto nos teus braços enquanto me aconchegas mais contra
o teu peito.
Estes dias provaram apenas a forma tão efusiva e igualmente
paciente como me amas.
Adormeço novamente embalada pela tua calma respiração na
minha testa e sinto-me tão plena deslizando para o sono quanto o sol que se
põe, sabendo que amanha voltará e te terá presente para o apreciar e fazer
sentir que tem um propósito.
Ninguém que nos visse iria compreender-nos. Ninguém sabe a
forma como tu me aceitas, como lidas com os meus defeitos e me fazes sentir que
não tenho que lidar com as minhas falhas sozinha. Ninguém vê a forma como me
abraças de noite, como se fosse o teu bem mais precioso, como se fosse a única
coisa no mundo que desejas proteger e preservar.
Prendesse a aranha na sua teia a mosca de forma tão final
como tu me prendes no teu olhar...
Sei que tudo muda e a vida é uma pagina branca escrita e
rescrita, apagada e modificada tantas vezes quantas bate o nosso coração. Mas a
força da sua caneta não se mede contra a força do que sinto por ti.
Entre o sono e o começo de um novo dia sinto a tua mão que
desenha círculos nas minhas costas e ouço a tua voz querendo-me acordada só
para ti. Cedo de boa vontade ao prazer de abrir os olhos, só para viver tudo de
novo, contigo.
Rériz, Castro Daire