quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Viciada em ti

  Um sorriso é tudo o que basta para deitares a baixo peça a peça a muralha de dominó que tanto me levou a construir.
  Mas tu nunca te ficas por um sorriso, tu dás cabo de todas as minhas defesas. Aprendeste os truques para acabar comigo sem me deixar sequer oferecer resistência e eu sinto-me uma fraca.
  Beijas-me a bochecha docemente, e eu sorrio e afasto-me. Agarras-me pela cintura e enterras a cara no meu pescoço, beijas-me ao de leve uma e outra vez mais e mais intensamente. Tento afastar-te mas os meus braços desaprenderam a força que têm, quero mexer os pés mas as minhas pernas estão dormentes e esqueceram o que significa andar. Derreto-me nos teus braços, vítima dos teus truques e já não há nada a fazer. Estou à tua mercê e amo-te por isso. Por me conheceres em todos os sentidos, por saberes exatamente como me fazer sorrir, como me fazer corar, como me fazer despir todas as minhas defesas para o mundo. Mas tu não és o mundo, tu és tu. E tu sabes-me de cor.
  Conquistaste cada bocadinho meu e nunca paras de me descobrir. Cada momento ao teu lado eu percebo o quanto me amas.

  Posso estar a tua mercê mas pela primeira vez eu não estou assustada. Tu tiras o melhor de mim e arrasas labirintos meus que nem eu conhecia. Tu provas-me todos os dias o que eu significo para ti e isso está espelhado na simples maneira como seguras a minha mão, daquela forma que tu sabes, só tu sabes...


Fábrica de desejos - Terreiro do Paço

sábado, 20 de dezembro de 2014

...

“Amo-te” – sussurraste-me ao ouvido, apanhando-me de surpresa, fazendo-me corar e afastar-me com um sorriso tosco nos lábios e os olhos pregados ao chão.
Parece que foi ontem que tivemos a nossa primeira conversa, que me cativaste em 24 horas como nunca ninguém me cativou em toda a minha vida. Mas não foi ontem, não foi há uma semana, não foi há meia dúzia de meses… não, esta conversa infinita tem muito mais cale.
O nosso amor nunca foi um amor de Shakespeare, nem de novelas e muito menos de poemas. Foi pequeno, contido, foi longínquo mas cuidado. O nosso amor foi grande, foi regado e tratado batalha, após batalha. O nosso amor é gigante, é tão imenso quanto o fazemos crescer a cada dia, e ele cresce a paços desmedidos…
O nosso amor cresceu na forma como tiras-te o tempo e a paciência para me conhecer. As primeiras impressões são a maior mentira que carregamos debaixo da língua, a mais feia mascara de carnaval. Talvez seja por isso que as paixões são tão arrebatadoras quanto breves. Mas tu não acreditaste nas facilidades das primeiras impressões, ficaste do meu lado e eu do teu enquanto víamos com curiosidade o pano cair e aprendemos a aceitar, deixando-nos envolver de forma mais intensa a cada conquista, a cada verdade capturada.
São recorrentes as vezes que me lembras que não somos perfeitos e que me garantes que tal nunca será impedimento, enquanto estivermos dispostos a lidar com toda a nossa imperfeição, juntos.
Eu não me importo. Quando toda a tua imperfeição está refletida no prazer espelhado nos teus olhos sempre que me consegues pôr a rir as gargalhadas. É como se fosse o teu melhor feito, capturar cada gargalhada minha e garantir que ela não acaba. Posso viver com isso…
Posso viver com a tua atenção e memória para cada ínfimo pormenor meu. Posso viver com o titulo de “mimada”. Hei-de fazer por merecê-lo todos os dias que me beijas sem fim, que me esmagas no calor do teu abraço, que partilhas comigo tudo o que é teu.


Eu só quero saber tudo sobre ti, tudo o que sentes, o que pensas. Porque eu quero a oportunidade de estar ao teu lado e enfrentar o bom e o mau que venha. Porque eu te amo.



Cascais, 8 Dez 2014