“Amo-te”
– sussurraste-me ao ouvido, apanhando-me de surpresa, fazendo-me corar e
afastar-me com um sorriso tosco nos lábios e os olhos pregados ao chão.
Parece
que foi ontem que tivemos a nossa primeira conversa, que me cativaste em 24
horas como nunca ninguém me cativou em toda a minha vida. Mas não foi ontem,
não foi há uma semana, não foi há meia dúzia de meses… não, esta conversa
infinita tem muito mais cale.
O
nosso amor nunca foi um amor de Shakespeare, nem de novelas e muito menos de
poemas. Foi pequeno, contido, foi longínquo mas cuidado. O nosso amor foi
grande, foi regado e tratado batalha, após batalha. O nosso amor é gigante, é
tão imenso quanto o fazemos crescer a cada dia, e ele cresce a paços
desmedidos…
O
nosso amor cresceu na forma como tiras-te o tempo e a paciência para me
conhecer. As primeiras impressões são a maior mentira que carregamos debaixo da
língua, a mais feia mascara de carnaval. Talvez seja por isso que as paixões
são tão arrebatadoras quanto breves. Mas tu não acreditaste nas facilidades das
primeiras impressões, ficaste do meu lado e eu do teu enquanto víamos com
curiosidade o pano cair e aprendemos a aceitar, deixando-nos envolver de forma
mais intensa a cada conquista, a cada verdade capturada.
São
recorrentes as vezes que me lembras que não somos perfeitos e que me garantes
que tal nunca será impedimento, enquanto estivermos dispostos a lidar com toda
a nossa imperfeição, juntos.
Eu
não me importo. Quando toda a tua imperfeição está refletida no prazer
espelhado nos teus olhos sempre que me consegues pôr a rir as gargalhadas. É
como se fosse o teu melhor feito, capturar cada gargalhada minha e garantir que
ela não acaba. Posso viver com isso…
Posso
viver com a tua atenção e memória para cada ínfimo pormenor meu. Posso viver
com o titulo de “mimada”. Hei-de fazer por merecê-lo todos os dias que me
beijas sem fim, que me esmagas no calor do teu abraço, que partilhas comigo
tudo o que é teu.
Eu
só quero saber tudo sobre ti, tudo o que sentes, o que pensas. Porque eu quero
a oportunidade de estar ao teu lado e enfrentar o bom e o mau que venha. Porque
eu te amo.
Cascais, 8 Dez 2014
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