Eu quero brincar e tu queres gozar. Eu empurro-te, tu esmagas-me. Eu bato o pé e tu irritas-me mais um bocadinho. Eu quero ser séria e marcar a minha posição e tu queres fazer-me rir.
Eu puxo para a direita e tu para a esquerda, eu sou Norte e tu és Sul.
E apesar de tudo isso és tudo o que quero quando não te tenho por perto. Com arrelias, amuos, infantilidades e, acima de tudo, com esta cumplicidade que me faz sentir que mesmo quando nos tentamos zangar há sempre um sorriso incapaz de ser contido por detrás de uma cara séria nada convicente.
Museu Berard, Belém

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