Por segundos a minha cabeça ficaria aliviada, sem discussões, implicações, barbas por fazer, sem palavras que não foram ouvidas e vontades não cumpridas nem sequer entendidas. E passados uns minutos ficaria vazia porque essas coisas fazem parte de nós e a minha vida não faz mais sentido sem nós.
E é curioso que essas mesmas discussões que antes me faziam pensar que não somos compativeis hoje me fazem sorrir e entender que não podiamos ser mais perfeitos um para o outro. Aliás, a parvoice que são cada uma das nossas briguinhas só o prova. E a cada implicância eu percebo que se o fazemos, se nos irritamos mutuamente e implicamos é porque queremos ainda mais amor, atenção. Vivemo-nos um ao outro tão intensamente que invariavelmente chocamos, por vezes. Queremo-nos tanto que nos esgotamos e amamo-nos de tal forma que damos cabo dos nervos um do outro. E eu amo-te cada vez mais.
'Tu és tão chata e tão impaciente, arghhhhhhhh, se tu parasses SÓ UM SEGUNDO, que raio!??'
'Tu não me ouves! Tu nunca te calas! Só me apetece apertar-te o pescoço com muita, MUITA, força!!!!!!!'
Depois calamo-nos, eu rio-me, tu ficas ainda mais enervado e eu tento com todas as minhas forças manter uma cara séria e estar realmente chateada. E tu circundas a cama, puxas-me o queixo para cima para que os teus olhos fixem os meus, beijas-me e vais acabar de fazer as tuas coisas (que eu estou há horas a espera que termines e que provavelmente foi a origem da discussão) e eu fico a observar-te e a sentir-me feliz, mesmo muito feliz.
Coimbra, Agosto 15
