sábado, 3 de outubro de 2015

O amor não é algo que se apague com o tempo

Pés descalços em cima do banco. O vento na minha cara e o pulsar das vibraçoes nos meus ouvidos sem que a musica seja alguma vez de mais. O carro avança e a minha felicidade não se mede. Sinto-me mais leve que nunca, com uma paz que não me deixa parar de cantar e de sorrir do outro lado da janela do carro.
Tão perdida na minha felicidade eu reparo pela primeira vez no céu que se extende sobre mim e páro. Tudo pára, o meu coraçao deixa de bater por segundos e a beleza daquela pintura real deixa-me sem repirar. Eu lembro-me de ti. Eu vejo-te e sei que estás aí em cima, bem pertinho das nuvens a pintar o céu mais belo que alguma vez vi. As lágrimas vêm-me aos olhos, não por estar triste mas por estar tão feliz e não o poder partilhar contigo. Por me sentir tão leve mas não o suficiente para deixar de me perguntar onde estás, se me vês, se tomas conta de mim, se estas feliz como tanto desejo que estejas, como tanto mereces.
Não deixo que as lagrimas corram porque se estou feliz tambem se deve a ti, porque se as coisas estao a fazer sentido eu sei que tens o teu dedo absolutamente carimbado nisto.
Mas sinto a tua falta, mas queria partilhar isto contigo. Queria abraçar-te como me abraçacas quando era pequenina, como me davas a mão há uns meses a trás e a apertavas apesar de te faltar a força. Eu queria dar-te a minha felicidade.
Desejo com todo o meu coração que estejas bem, que vejas os disparates que vamos fazendo, mas não percas muito tempo connosco, vai ser feliz, acima de tudo, vai encontrar a tua paz. E espera por mim, porque eu mal posso esperar para te ver outra vez, para termos uma bolha de felicidade juntas, para sempre.
Estás sempre no meu pensamento e no meu coração, avó!

Coimbra, Agosto 2015

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